imagens, de cima para baixo:
Fulvio Pennacchi no Guarujá, em 1963
desenho guia para o segundo afresco de São Francisco do páteo da residencia do artista, 1968
no litoral, 1968
Fulvio no convento franciscano, 1966
Fulvio com Maria Adele, em 1967

 


O início dos anos ’60 dá continuidade ao retraimento, ainda voluntário, do artista no grande circuito das artes, mas não à sua produção. Conjuntos painéis em madeira industrializada que substituem os afrescos ainda são produzidos. Com 55 anos ca., Pennacchi não tinha mais resistência física para enfrentar grandes alturas, andaimes e reboques; daí a necessidade de pintar, para grandes ambientes, painéis, mesmo que unitariamente grandes. Para a feira de Natal – iniciativa de Emy Bonfim – pintou miniaturas, e algumas outras obras para mostras de moderada recensão.

Porém, em 03.12.1964, por ocasião da exposição na “Casa do Artista Plástico” Pennacchi, que se havia transformado num “pintor de colecionadores” e que não se apresentava em público há muito tempo, exibe com grande sucesso de público e crítica, suas recentes pinturas e; pela primeira e única vez em vida, suas esculturas1. O sucesso, oriundo da criteriosa revisão de valores que o alarido da improvisada crítica vinha fazendo com seus “artistas” prediletos, dá conta ao colecionador e ao publico do que fez Pennacchi durante todo esse tempo em que referveu a bambochada. Vide “Cronologia Crítica”.

É desta década (1966 ca.) a pintura de quatro grandes painéis de madeira (2,20 x 1,20 m cada) retratando cenas da vida brasileira. Formam junto com algumas esculturas com acabamento policromático, a coleção “Opus Dei” em Arueira.

Em 1969, por não atender à “solicitação vanguardeira” – é a época da arte mínima, monocromática e conceitual – obras submetidas ao Júri do “I Salão Paulista de Arte Contemporânea” foram recusadas 2. A civilidade e afabilidade do artista não lhe permitiram repetir a conhecida jaculatória de Beethoven, quando informado que algumas de suas obras não mereceram o aplauso da crítica – Ça leur plaira bien, un jour - (NdA: Eles aprenderão a gostar, um dia).

NOTAS
1 NdA: Lembro-me perfeitamente dos grandes grupos de pássaros, três ou quatro “Última Ceia”, de sabor e plasticidade incríveis... ao volume da escultura e do contraste que esta provocava quando pendurada na parede se juntavam cores e tonalidades sem fim!”
As cerâmicas da coleção da família Fulvio Pennacchi, foram mostradas publicamente, uma segunda vez, na exposição “Desvendando Pennacchi”; Curadoria: Fábio Porchat; Museu da Fundação Armando Álvares Penteado; São Paulo; 2000.
2 Segundo depoimento de Pennacchi ao autor, tratava-se de um conjunto de 14 quadros sobre as “Obras de Misericórdia”.
3. A imagem-ícone da decada é pintura executada na década de 40 com interferência do próprio artista na década de 60 / adição dos personagens.


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